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Sozinho no Caminho da Fé
26/05/2005
Todos temos sonhos, desejos, às vezes ele acontece imediatamente, outras vezes demora.
Há algum tempo eu corro e pedalo, encontrei esta solução para despejar toda a energia que acumulo.
Como não tenho limites, sempre exagero, desta vez não foi diferente.
Fiz o Caminho da Fé. O que é este caminho? É sair de Tambaú, que fica 270 quilômetros de São Paulo, e chegar em Aparecida do Norte, distante 166 quilômetros. A grande maioria do trajeto é feita por estradas de terra entre as montanhas, muitas montanhas. O objetivo era fazer em quatro dias, mas completei em cinco. Foram 407 quilômetros de pedal.
É muito estranho, não sentia fome, sede, cansaço, dor, nada. O desgaste físico e mental é absurdo, mas o prazer que sinto é inexplicável. Tenho uma teoria: Não é necessário ser um atleta para realizar algumas coisas na vida, é primordial ter força mental pois, quando você quer você consegue. Meu lema de vida é ser persistente: lute, lute muito que você consegue.
Depois de uma tempestade em São Paulo, aonde não se conseguia ir a lugar nenhum, saí rumo a Tambaú. Na montagem das malas na bicicleta descobri que a bike com os alforjes o peso era de 27 quilos.
Na estrada o tempo foi melhorando e, na chegada, a noite estava linda.
Comecei com problemas nos alforjes, pois batia os pé nas malas e era impossível pedalar. Depois de muita luta consegui acertar. Muito barro e água na estrada. Perto da hora do almoço, já havia pedalado 62 quilômetros, mas a partir de Vargem Grande do Sul até São Roque da Fartura foi absurdo.
Você sai de 500 metros de altitude para 1400 metros de altitude, encara um morro com 16 quilômetros de subida, aonde lagartixa cai de costas de tanta subida. Não dá para pedalar, é só empurrar a bike morro acima. O objetivo era dormir em Andradas, mas não dá. Dormi em São Roque da Fartura.
Nas conversas as pessoas diziam que o pior já tinha passado, mas cada vez que empurrava a bicicleta era pior, muito pior. No segundo dia só empurrei, empurrei a bicicleta. Total do dia: 48 quilômetros de morro acima. Dormi em Andradas. Não sei aonde encontrei forças para chegar. A subida era tão loca que às vezes empurrava dois metros e parava para encontrar forças. Não sentia raiva e nem vontade de desistir nada. Na saída de Águas da Prata tem uma subida com pedras, pedras e pedras. Tinha que pôr a bicicleta nas costas para subir.
Terceiro dia foi o pior. Sai de Andradas e encarei a subida da Serra dos Lima. A subida é tão íngreme que os carros patinavam e jogam pedras para todos os lados. Tive que empurrar novamente.
Muita luta, muito esforço. Comecei a ter problemas com a bicicleta, acabou o freio o câmbio não funcionava por causa do barro. Caia a toda hora. Cai feio na chegada a Consolação, em uma descida com barro. Caí e bati numa pedra enorme. Bati o ombro e ralei legal.
Daí para frente uma trilha complicada e a chegada a Paraisópolis.
As paisagens maravilhosas, gente muito bonita e uma pobreza, uma miséria... mas pessoas sempre sorrindo, sempre prontas para te receber, dividindo o pouco que eles têm.
Pedalei muito até chegar a Aparecida. Muito feliz.
Em todo caminho só consegui agradecer a Deus tudo o que Ele me proporcionou, proporciona e vai me proporcionar.
Outras informações:
Gerson L. Budoya
11 9983 0109
gerson@gerna.com.br



